Porque brilhantes Sistemas Informatizados às vezes acabam no lixo

O cenário não é raro:

  1. A empresa detectou uma necessidade imperiosa diante de seus objetivos estratégicos;
  2. A empresa encomendou o projeto de um Sistema Informatizado para suprir tal necessidade imperiosa;
  3. O projeto do Sistema Informatizado foi executado de acordo com as melhores técnicas;
  4. O Sistema Informatizado foi implantado e todos concordaram que era muito robusto, que nunca falhava, que sua utilização era muito intuitiva e que de fato atendia seus objetivos.
  5. Depois de alguns meses, o Sistema Informatizado, que havia consumido um bom investimento, simplesmente foi desativado.

Todos devem conhecer uma história semelhante. Porque ocorre? Não se pode imputar culpa à qualidade do sistema. Afinal, todos foram unânimes em fazer elogios à robustez, à simplicidade de uso e ao cumprimento de seus objetivos, diante das necessidades da empresa.

Tendo sido o sistema desativado, os estrategistas da empresa continuaram a apontar a mesma lacuna que originou inicialmente o seu projeto.

O ponto chave da questão é a CULTURA da empresa.

Cada empresa possui uma cultura própria, que foi sendo cultivada desde a sua origem. Se a empresa é familiar, a forte personalidade do fundador pode estar ainda impregnada. Se a corporação é multinacional, talvez esteja imbuída do espírito definido pela política de RH da matriz. A região física onde a empresa está localizada também pode ser um forte fator cultural.

Um sistema poderoso visando o compartilhamento de informações entre consultores, por mais moderno que seja está fadado a morrer se o espírito da corporação estimula a competitividade interna acima de tudo.

Sistemas para medir a produtividade de funcionários serão claramente boicotados se houver a expectativa de que aflorarão improdutividades propositais.

Ferramentas para diagnosticar o desempenho de filiais podem receber resistências se não houver na empresa uma cultura de "união pelos objetivos empresariais".

Tecnologia da Informação não pode estar dissociada de um diagnóstico organizacional. Caso contrário, as "surpresas" acima apontadas continuarão sempre ocorrendo.

PRAGMÁTICA
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